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Trabalho

Seis em cada dez moradores de grandes capitais fazem “bicos” para complementar renda


  • 17 de setembro de 2026 às 10h06min

Pesquisa mostra que 31% tiveram redução nos rendimentos e parte das famílias passou a trocar alimentos por opções mais baratas. (Foto: Reprodução)

Seis em cada dez moradores de dez grandes capitais brasileiras precisaram realizar trabalhos extras para complementar a renda familiar nos últimos 12 meses. O dado faz parte da pesquisa Viver nas Cidades: Desigualdades e Mobilidade Social, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec.

Serviços como faxinas, reformas, manutenção e jardinagem aparecem entre as atividades mais procuradas para reforçar o orçamento doméstico. A adesão a esses trabalhos variou de 54% em Belo Horizonte a 68% em Goiânia.

A renda ficou estagnada para 45% dos entrevistados na comparação com o ano anterior. Outros 31% afirmaram ter sofrido redução nos rendimentos, enquanto apenas 18% perceberam aumento. Entre as classes A e B, a parcela que registrou crescimento da renda chegou a 24%.

Os resultados contrastam com os indicadores nacionais do mercado de trabalho. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) apontam que o rendimento médio do brasileiro atingiu um patamar recorde, mas a percepção entre os moradores ouvidos ainda é de aperto no orçamento.

Famílias mudaram alimentação para economizar

A alimentação foi apontada como a principal despesa por 47% das famílias pesquisadas. Para conseguir economizar, parte dos entrevistados aumentou o consumo de ovos e reduziu a compra de carnes, laticínios, frutas, verduras e legumes.

O levantamento também mostra que estudar mais não garantiu uma melhoria financeira na mesma proporção. Embora 73% dos participantes tenham alcançado um nível de escolaridade superior ao dos pais, somente metade considera que conseguiu melhorar a renda ou a qualidade da moradia em relação à geração anterior.

A pesquisa ouviu 3,5 mil pessoas entre dezembro de 2025 e julho de 2026. Os resultados indicam que o aumento da escolaridade e a melhora de alguns dados gerais do mercado de trabalho ainda não se traduziram, para parte da população urbana, em maior poder de compra e mobilidade social.

Por Mirelly Rodrigues