STF avança no julgamento que pode tornar Rodrigo Bacellar réu

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (18) para receber a denúncia contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Com três votos favoráveis, o colegiado avança para transformar o político em réu por suspeita de obstrução de investigação relacionada a uma organização criminosa armada.
O julgamento ocorre no plenário virtual e ainda não foi concluído. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, votou pelo recebimento da denúncia e foi acompanhado pelas ministras Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O ministro Flávio Dino ainda não apresentou seu voto. Os demais votos podem ser registrados até sexta-feira (21).
Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Bacellar teria obtido informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun e repassado o conteúdo a Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias. À época, TH Joias exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro e era um dos principais alvos da operação.
A Operação Zargun foi deflagrada pela Polícia Federal em 3 de setembro de 2025. De acordo com as investigações, TH Joias mantinha ligação com integrantes do Comando Vermelho. A acusação também aponta que Bacellar teria se reunido, no dia anterior à operação, com o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, que naquele período era responsável pela relatoria das investigações no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
Para a PGR, o encontro realizado em 2 de setembro teria possibilitado o acesso a informações privilegiadas sobre as medidas judiciais que seriam cumpridas no dia seguinte. A suspeita é de que esses dados tenham sido posteriormente repassados a um dos alvos da operação.
Com a maioria formada, a Primeira Turma já tem três votos pelo recebimento da denúncia. No entanto, o julgamento permanece em andamento até o encerramento do prazo para manifestação dos ministros no plenário virtual.
Por Jorge Brandão
