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Saúde

SUS inicia teste com medicamento para obesidade em hospital do Rio Grande do Sul


  • 26 de junho de 2026 às 18h35min

Projeto-piloto vai acompanhar pacientes com quadros graves para avaliar resultados clínicos, custos e impacto do tratamento com semaglutida. (Foto: Reprodução)

O Ministério da Saúde deu início, nesta sexta-feira (26), a um projeto experimental que prevê a utilização da semaglutida em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa será realizada no Rio Grande do Sul, com participação de usuários acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição.

A substância é utilizada em medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas para emagrecimento”. O objetivo do estudo é analisar a eficácia do tratamento, seus efeitos na saúde dos pacientes e o custo para eventual implementação na rede pública.

Nesta fase inicial, 250 pacientes com obesidade grave — ou com doenças associadas, como problemas cardíacos — foram selecionados. Todos já são acompanhados pela unidade hospitalar e possuem indicação para cirurgia bariátrica.

Segundo o Ministério da Saúde, o perfil dos participantes reflete a realidade atendida pelo hospital: a maioria apresenta obesidade mórbida, embora menos da metade tenha condições clínicas de passar pela cirurgia. Entre as doenças associadas mais frequentes, destaca-se a hipertensão.

Durante dois anos, serão monitorados indicadores como perda de peso, qualidade de vida, resultados de exames, evolução após procedimentos cirúrgicos e os custos envolvidos no tratamento. A proposta é entender como a terapia pode ser aplicada de forma viável dentro do SUS.

O financiamento da pesquisa será feito por meio de recursos repassados ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com aporte da empresa responsável pela fabricação do medicamento.

Para participar, os pacientes precisam ter diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano e histórico de insucesso com tratamentos convencionais, como dieta e atividade física. Também é necessário que consigam aplicar o medicamento por conta própria ou tenham auxílio de um cuidador.

Apesar do avanço do projeto, a incorporação desse tipo de medicamento ao SUS ainda enfrenta desafios. Em agosto do ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou não incluir a semaglutida e a liraglutida na rede pública, principalmente devido ao alto custo. A estimativa do impacto financeiro dessas medicações é de cerca de R$ 8 bilhões por ano.

Por Viliane Gomes