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Economia

Tarifaço dos EUA ameaça R$ 380 milhões das exportações de Pernambuco


  • 23 de julho de 2026 às 10h01min

Novas tarifas americanas atingem açúcar, uvas e produtos industriais. (Foto: Reprodução)

O novo tarifaço comercial dos Estados Unidos, que entrou em vigor nesta quarta-feira (22), pode afetar cerca de R$ 380 milhões em exportações de Pernambuco, valor que representa aproximadamente 60% de tudo o que o estado vende ao mercado americano. Segundo representantes do setor produtivo, o segmento sucroenergético é o mais impactado e pode registrar perdas de até R$ 200 milhões, além de reflexos na geração de empregos e na renda de produtores de cana.

De acordo com o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, a sobretaxação do açúcar pode elevar a carga tributária sobre o produto para até 37,5%, considerando outros impostos já cobrados pelos Estados Unidos. Ele afirma que o impacto financeiro deve atingir diretamente as usinas pernambucanas e reduzir a remuneração de mais de 22 mil pequenos e médios fornecedores de cana da Zona da Mata. Apesar disso, o dirigente avalia que não há risco de colapso no setor, já que o açúcar destinado aos Estados Unidos representa menos de 4% da produção nordestina e poderá ser redirecionado para outros mercados.

Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), aproximadamente 60% da pauta de exportações pernambucanas para os Estados Unidos passou a ser atingida pela tarifa adicional de 25%. Segundo o gerente de Política Industrial da entidade, Maurício Laranjeira, produtos como uvas do Vale do São Francisco e chapas de plástico PET produzidas em Suape estão entre os mais prejudicados, enquanto itens como coque de petróleo, mangas frescas, querosene de aviação e pescados ficaram de fora da sobretaxação.

Apesar do cenário, a Fiepe afirma que não há risco de paralisação logística nos portos pernambucanos. A entidade defende medidas como a criação de linhas de crédito emergenciais, renegociação de dívidas e negociações diplomáticas entre o governo brasileiro e os Estados Unidos para reduzir os impactos sobre a economia estadual.

Por Mirelly Rodrigues