TCE revela desafios no saneamento e desperdício de água em Pernambuco

Pernambuco ainda está abaixo da média nacional em indicadores de saneamento básico. Apenas 29,4% da população do estado conta com serviços de coleta e tratamento de esgoto, enquanto o atendimento com água tratada alcança 71,6% dos habitantes. Os dados fazem parte do levantamento mais recente do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), elaborado a partir de informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA).
Com os índices registrados, Pernambuco aparece na 21ª posição entre os estados brasileiros no ranking de atendimento em saneamento básico. A cobertura de esgotamento sanitário no estado está abaixo da média nacional, de 62,3%. A diferença também aparece no abastecimento de água: enquanto 71,6% dos pernambucanos têm acesso ao serviço, a média brasileira chega a 84,1%.
Além da baixa cobertura, o diagnóstico chama atenção para as perdas no sistema de distribuição de água. Em Pernambuco, 43,4% da água tratada não chega ao consumidor final. O percentual é superior à média nacional, de 39,53%, e também representa um aumento em relação ao levantamento anterior do TCE-PE, quando o índice estadual era de 41,8%.
Na prática, isso significa que, a cada mil litros de água colocados na rede de distribuição, cerca de 434 litros são perdidos antes de chegar ao consumidor. Entre os fatores associados às perdas estão vazamentos em tubulações antigas, problemas de pressão na rede, rachaduras em reservatórios, ligações clandestinas, furtos e fraudes, além de falhas na medição dos hidrômetros.
Os números apontam para desafios tanto na ampliação do acesso aos serviços de saneamento quanto na melhoria da eficiência do sistema de abastecimento. Enquanto uma parcela significativa da população ainda não dispõe de coleta e tratamento de esgoto, quase metade da água tratada inserida na rede acaba não sendo contabilizada como consumo efetivo.
Por Jorge Brandão
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