Trabalho escravo: só 4% dos réus são condenados por todos os crimes no Brasil

Entre 2000 e 2025, apenas 4% dos acusados de trabalho semelhante à escravidão no país foram condenados por todos os crimes atribuídos. É o que aponta um levantamento da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado nesta quarta-feira, 28 de janeiro, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
Dos 4.321 réus analisados, 37% foram absolvidos e outros 4% receberam condenações parciais. O estudo também mostra que os processos na Justiça Federal demoram, em média, 2.636 dias (mais de sete anos) para serem concluídos. No período, quase 20 mil pessoas foram identificadas como vítimas.
Segundo os pesquisadores, a dificuldade de comprovar o crime e a demora nas decisões judiciais ajudam a explicar o baixo número de punições. O trabalho escravo contemporâneo inclui jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade, e pode ser denunciado de forma anônima pelo Sistema Ipê, do governo federal.
Por Millena Galvão
