Trump recua e reduz tarifas sobre alimentos importados em meio à alta do custo de vida

Em resposta à crescente pressão por medidas que aliviem o custo de vida nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou nessa sexta-feira (14) um decreto que reduz tarifas sobre a importação de alimentos como carne bovina, café, bananas e tomates. A decisão representa um recuo parcial na política tarifária adotada pelo governo ao longo de 2025.
Segundo o texto oficial, os produtos beneficiados ficarão isentos das chamadas tarifas “recíprocas”, implementadas no início do ano como parte de uma estratégia de proteção comercial. A Casa Branca justificou a mudança com base em uma nova análise sobre a capacidade de produção interna e a demanda doméstica por esses itens.
Desde abril, os Estados Unidos vinham aplicando uma tarifa mínima de 10% sobre uma ampla gama de produtos importados, com sobretaxas adicionais para países específicos. A medida, segundo Trump, visava conter o déficit comercial, considerado uma ameaça à segurança nacional. No entanto, os efeitos colaterais começaram a pesar: a arrecadação aumentou, mas a inflação também ganhou força, com o preço do café, por exemplo, subindo 21% em 12 meses até agosto.
Após uma primeira reavaliação em setembro, o governo decidiu agora aliviar parte das tarifas, reconhecendo que a produção nacional não é suficiente para atender à demanda interna de certos alimentos. Pesquisas recentes apontam o custo de vida como uma das principais preocupações dos americanos.
A decisão ocorre em meio a negociações diplomáticas. Na quinta-feira (13), o chanceler brasileiro Mauro Vieira se reuniu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante a cúpula do G7 no Canadá. Segundo comunicado do Departamento de Estado, os dois discutiram um “quadro mútuo” para reequilibrar as relações comerciais entre os países.
O Brasil foi um dos países mais afetados pelas tarifas impostas por Trump, especialmente após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do republicano. As sobretaxas chegaram a 50% para diversos produtos brasileiros, incluindo o café, o que impactou diretamente os preços no mercado americano.
Além do Brasil, os Estados Unidos também anunciaram nesta semana novos acordos comerciais com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala — todos grandes exportadores de alimentos como carne e frutas. As mudanças sinalizam uma tentativa de reordenar a política comercial americana diante de pressões internas e externas.
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