Um terço das prefeituras atrasa pagamento de fornecedores em 2025

Quase um terço das prefeituras brasileiras enfrenta dificuldades para honrar compromissos com fornecedores, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM). O levantamento, realizado com gestores de 4.172 cidades, mostra que 1.202 municípios (28,8%) estão com pagamentos atrasados, enquanto 2.858 (68,5%) mantêm as contas em dia. Outros 112 (2,7%) não responderam.
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, atribui o cenário ao aumento de despesas sem contrapartida de receitas, impulsionado por programas federais. Ele destaca o crescimento do número de servidores – de 5 milhões para 8,3 milhões – e alerta para o risco de colapso financeiro: “Nunca vi um momento tão crítico como o atual. A pressão previdenciária e salarial ameaça a sustentabilidade das gestões locais”, afirmou.
A pesquisa também revela que 31% das prefeituras devem transferir despesas de 2025 para o próximo ano sem fonte de recurso suficiente, os chamados restos a pagar. Em contrapartida, 62,9% afirmaram que não deixarão dívidas sem orçamento previsto.
Entre as políticas que ampliaram os gastos estão o piso salarial da enfermagem, o programa Mais Médicos e a expansão das escolas em tempo integral. A recente aprovação da aposentadoria integral para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias preocupa ainda mais os gestores, com impacto estimado em R$ 70 bilhões.
Apesar das dificuldades, 98% das prefeituras garantiram o pagamento do 13º salário e da folha de dezembro. Para 94,7% dos gestores, o adicional de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) repassado em dezembro foi decisivo para cumprir essa obrigação.
