União Europeia suspende importação de carnes e mel do Brasil

A União Europeia passou a suspender, nesta quinta-feira (3), a importação de carne bovina, carne de aves e mel produzidos no Brasil. A decisão ocorre porque, segundo a Comissão Europeia, o governo brasileiro não apresentou todas as garantias exigidas pelo bloco sobre o controle de antibióticos e outros medicamentos utilizados na criação dos animais.
A restrição havia sido anunciada em maio, quando o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar esses produtos para o mercado europeu. Pelas regras do bloco, alimentos de origem animal somente podem entrar na União Europeia quando o país fornecedor comprova o cumprimento das exigências sanitárias estabelecidas.
As normas europeias proíbem o uso de determinados medicamentos para acelerar o crescimento dos animais ou aumentar a produção. Também existem restrições a antibióticos considerados importantes para o tratamento de infecções em seres humanos, com o objetivo de reduzir o risco de desenvolvimento de bactérias resistentes. Ainda não há previsão para a retomada das importações brasileiras.
No caso das aves e do mel, uma equipe de especialistas europeus realiza uma auditoria no Brasil. O trabalho deve ser encerrado nesta semana, mas as conclusões ainda passarão por análise antes da divulgação.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes informou que o Ministério da Agricultura já apresentou documentos sobre o cumprimento das exigências. A entidade também afirmou ter implantado um protocolo para controlar o uso de medicamentos na produção e ressaltou que a medida está relacionada às regras específicas do mercado europeu, sem alterar a condição sanitária da carne vendida no Brasil.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil pediu que o governo brasileiro avalie medidas de compensação comercial. Em 2025, as exportações brasileiras de carnes bovina e de frango para a União Europeia movimentaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão. A entidade também solicitou uma investigação sobre a qualidade dos azeites importados, especialmente os classificados como extravirgens, já que 89% do produto comprado pelo Brasil no exterior veio de países europeus no ano passado.
Por Mirelly Rodrigues
