Vandalismo compromete sinalização de risco de tubarões em praias de Pernambuco

O sistema de sinalização que alerta sobre o risco de incidentes com tubarões no litoral pernambucano tem enfrentado problemas causados por vandalismo. Das aproximadamente 150 placas instaladas entre as praias do Farol, em Olinda, e do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, apenas 90 permanecem em boas condições. As demais foram retiradas, pichadas ou sofreram outros tipos de danos, comprometendo a orientação aos frequentadores das praias.
Além de informar sobre o risco de ataques, as placas trazem recomendações de segurança relacionadas às condições do mar, como a presença de correntes, áreas de profundidade variável e trechos com rochas submersas. Especialistas alertam que a preservação da sinalização é uma das medidas importantes para reduzir acidentes e defendem que a prevenção depende da colaboração entre poder público, pesquisadores e população.
A preocupação ganhou ainda mais destaque após dois incidentes registrados em apenas dois dias na Região Metropolitana do Recife, envolvendo um menino de 11 anos e uma jovem de 19 anos, ambos vítimas de ataques de tubarão e submetidos a amputações. Com os casos, o estado chegou a 84 ocorrências registradas desde o início do monitoramento realizado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), em 1992.
Enquanto busca reforçar as ações de conscientização, Pernambuco também se prepara para retomar o monitoramento científico dos tubarões após mais de uma década. A partir de julho, o projeto Ecotuba voltará a acompanhar espécies presentes na costa pernambucana por meio da captura, identificação e rastreamento eletrônico dos animais. A iniciativa pretende ampliar o conhecimento sobre o comportamento dos tubarões e contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção no litoral do estado.
Por Millena Galvão
