Violência online contra jornalistas cresce e leva à autocensura, aponta ONU Mulheres

Um relatório divulgado pela ONU Mulheres revela o avanço da violência online contra jornalistas e comunicadoras, com efeitos diretos na liberdade de expressão. Segundo o estudo, 41% das mulheres afirmam evitar se posicionar nas redes sociais por medo de ataques, enquanto 19% relatam autocensura no ambiente profissional.
O levantamento mostra que 12% das entrevistadas já tiveram imagens pessoais compartilhadas sem consentimento, incluindo conteúdos íntimos. Além disso, 6% foram vítimas de deepfakes e quase um terço relatou ter recebido mensagens com investidas sexuais não solicitadas. Entre jornalistas e trabalhadoras da mídia, o índice de autocensura nas redes sociais chegou a 45% em 2025, crescimento de 50% em relação a 2020.
O impacto da violência digital também afeta a saúde mental. Cerca de 24,7% das profissionais foram diagnosticadas com ansiedade ou depressão, enquanto quase 13% relataram transtorno de estresse pós-traumático. Apesar do aumento nas denúncias e ações legais, o relatório aponta falhas na proteção jurídica, já que menos de 40% dos países possuem leis específicas contra esse tipo de abuso, deixando cerca de 1,8 bilhão de mulheres e meninas sem amparo legal adequado.
Por Millena Galvão
