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Violência contra a Mulher

Violência psicológica lidera casos relatados por mulheres, aponta levantamento


  • 30 de julho de 2026 às 19h40min

De acordo com o levantamento, 54% das mulheres relataram já ter sofrido algum tipo de violência em relacionamentos. (Foto: reprodução)

Mais da metade das brasileiras que já tiveram relacionamento com homens afirma ter sido vítima de algum tipo de violência praticada por parceiros ou ex-parceiros. É o que revela a pesquisa “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Patrícia Galvão.

De acordo com o levantamento, 54% das mulheres relataram já ter sofrido algum tipo de violência em relacionamentos. Em contrapartida, apenas 11% dos homens que já se relacionaram com mulheres admitiram ter cometido agressões contra companheiras ou ex-companheiras.

A pesquisa entrevistou 1,5 mil pessoas, com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, durante o mês de abril de 2026. O estudo apresenta um panorama da percepção da população sobre a violência doméstica e familiar duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), considerada um dos principais instrumentos de proteção às mulheres no Brasil.

Entre as entrevistadas, a sensação de impunidade aparece como o maior obstáculo para denunciar casos de violência doméstica, sendo apontada por 56% das mulheres. A lentidão da Justiça foi citada por 39% como outro fator que dificulta a busca por proteção e responsabilização dos agressores.

O levantamento também mostra que 77% das mulheres acreditam que muitos homens ainda não reconhecem determinados comportamentos como formas de violência, enquanto 82% avaliam que eles costumam se omitir diante de atitudes violentas praticadas por outros homens.

A violência psicológica foi a forma de agressão mais relatada pelas participantes, mencionada por 42% das mulheres. Em seguida aparece a violência física, citada por 25% das entrevistadas.

Quando presenciam episódios de violência contra a mulher, as mulheres afirmam, com maior frequência, que acionariam a polícia ou outros órgãos competentes. Já os homens tendem a mencionar a intervenção direta, com ou sem o uso da força.

A Delegacia da Mulher segue como o principal canal de apoio conhecido pelas brasileiras, sendo lembrada por três em cada quatro entrevistadas.

Segundo as instituições responsáveis pelo estudo, embora a Lei Maria da Penha tenha promovido avanços importantes no combate à violência doméstica, os resultados indicam que a violência de gênero continua sendo um desafio estrutural, reforçando a necessidade de ações integradas entre poder público, sistema de Justiça e sociedade.

Por Jorge Brandão