Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil antes de operação, diz PF

Mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro procurou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para saber se deveria deixar o Brasil dias antes da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
A troca de mensagens ocorreu no fim de semana que antecedeu a operação. Em uma das conversas, Vorcaro questionou Moraes sobre a possibilidade de deixar o país: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, voltou a perguntar: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Segundo a perícia realizada pela PF, as respostas enviadas por Moraes não puderam ser recuperadas porque foram encaminhadas pelo recurso de visualização única. Apesar disso, as mensagens disponíveis mostram que Vorcaro reagiu a uma resposta do ministro com surpresa. “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo”, escreveu o banqueiro.
Naquele período, Vorcaro estava próximo de anunciar a venda do Banco Master para um grupo formado pela Fictor Holding e um fundo de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Em outra parte da conversa, o banqueiro mencionou o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Segundo as mensagens, Vorcaro questionou se o juiz seria o responsável pela medida e se Galípolo tinha conhecimento da situação.
“Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo ta sabendo? Conseguimos fazer algo?”, escreveu.
A Operação Compliance Zero teve uma de suas primeiras fases deflagrada em novembro de 2025. Vorcaro foi preso no dia 17 daquele mês, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai.
As mensagens fazem parte do material analisado pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o Banco Master e foram obtidas a partir da perícia realizada nos dispositivos relacionados ao caso.
Por Jorge Brandão
